Nas estradas da vida
eu já caminhei depressa,
como quem acreditava
que chegar era mais importante
do que sentir o caminho.
Já atravessei noites
sem saber onde terminavam,
carregando no peito
perguntas sem resposta
e sonhos que se recusavam a morrer.
Houve estradas de terra,
onde meus pés aprenderam o peso do cansaço.
Houve caminhos de pedra,
onde cada queda deixou uma cicatriz
e cada cicatriz contou uma história.
Também encontrei flores
nascendo onde ninguém havia plantado,
abraços surgindo depois da despedida,
amores chegando sem pedir licença
e pessoas que ficaram em mim
mesmo depois de seguirem outro rumo.
Nas estradas da vida
alguns caminharam ao meu lado
por quilômetros,
outros apenas por alguns passos.
E houve aqueles
que prometeram permanecer,
mas desapareceram
na primeira curva.
Não os condeno.