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Eduardo Nagai
O Seu Guia Literário
Textos

A TATUAGEM PROIBIDA

Acordei de madrugada

com o silêncio sobre o quarto

e teu corpo aquecido

contra o meu peito.

A cidade brilhava

atrás das cortinas

como se o mundo inteiro

estivesse distante de nós dois.

Foi então que eu vi

a fênix tatuada em sua alva

pele. Nas costas. Como se fosse

alçar voo, a qualquer momento.

Ela não brilhava como uma tatuagem qualquer.

Tampouco como tinta sobre a pele.

Mas como uma história inteira

gravada a ferro e fogo.

Passei os dedos devagar

sobre as asas abertas

e me lembrei da tua voz

me contando sobre antigos segredos

que te quebraram aos poucos.

Você falava sem raiva.

Isso doía ainda mais.

Havia apenas aquele esforço

de quem já entregou o coração

para mãos erradas

vezes demais.

Você me contou

sobre o vazio.

E eu nunca esquecerei

o jeito como pronunciou essa palavra.

Vazio.

Como se estivesse descrevendo

uma casa abandonada

depois do incêndio.

Você continuou vivendo,

trabalhando, sorrindo,

cumprindo horários,

mas por dentro

já não acreditava em recomeços.

E eu ali, naquela madrugada,

olhando a fênix nas tuas costas,

entendi tudo.

Aquela ave não simbolizava força.

Simbolizava resiliência.

Porque há pessoas

que não vencem a dor;

apenas aprendem

a respirar entre as cinzas.

Te abracei mais forte

enquanto você dormia.

E pensei em quantas vezes

a vida precisou te destruir

para que você renascesse assim:

mais silenciosa,

mais intensa,

mais cautelosa

com o próprio coração.

A tua tatuagem parecia viva

na penumbra do quarto.

As asas abertas.

O fogo subindo.

O renascimento acontecendo

bem diante dos meus olhos.

Então compreendi

que amar alguém como você

é tocar numa alma

que já queimou inteira

e ainda assim

escolheu acreditar no amor

mais uma vez.

E talvez seja isso

que torna teus abraços

tão profundos.

Você não ama por inocência.

Ama porque sobreviveu

sobre as cinzas.

Prof Eduardo Nagai
Enviado por Prof Eduardo Nagai em 20/05/2026
Alterado em 20/05/2026
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