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Eduardo Nagai
O Seu Guia Literário
Textos

ENCANTOS E DESENCONTROS

A gente se encontrou como dois amantes,

como dois rios que não sabiam

que estavam indo para o mesmo mar.

Você vinha de silêncios longos,

eu, de palavras guardadas demais.

E no meio desse acaso

houve um instante —

breve, mas inteiro —

em que o mundo pareceu caber

no espaço entre nossas mãos.

Teu riso tinha gosto de manhã

e eu, que vivia em entardeceres,

aprendi a nascer de novo

cada vez que te olhava.

Éramos improviso,

como vento entrando pela janela

sem pedir licença,

bagunçando certezas,

levantando poeiras antigas

do coração.

Mas caminhos também sabem

ser labirintos disfarçados.

E, sem perceber,

começamos a andar

em direções que ainda pareciam juntas,

mas já não eram.

Você virou horizonte —

bonito, distante, intocável.

Eu fiquei sendo estrada,

cheio de marcas,

tentando entender

em que curva te perdi.

Não houve adeus gritado,

nem despedida que fizesse sentido.

Só um silêncio crescendo

como noite dentro da gente.

E foi ali,

no espaço entre o que fomos

e o que não conseguimos ser,

que o amor virou memória.

Hoje, quando penso em nós,

dói como sempre doeu —

é como tocar uma música antiga

que ainda sabe meu nome,

mas já não me chama para dançar.

Talvez tenhamos sido isso:

um encontro bonito demais

para durar,

e um desencontro profundo demais

para esquecer.

E mesmo assim,

em algum lugar que não sei dizer,

ainda somos

dois rios que se cruzaram —

e por um instante,

foram mar.

Prof Eduardo Nagai
Enviado por Prof Eduardo Nagai em 16/04/2026
Alterado em 16/04/2026
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