O que se passou, na noite passada,
E ninguém viu, ninguém ouviu.
Um disparo em alto mar
à queima roupa
Direto no coração do oceano.
E o mar, atônito, não sangrou de imediato,
apenas se curvou em silêncio profundo,
como quem guarda uma dor antiga
sem saber nomeá-la.
As ondas hesitaram —
e depois seguiram, fingindo não lembrar.
O que se passa com esse povo?
Balas perdidas em torno da massa
Sem massa crítica ou argamassa.
Há futuro, onde nem o passado
Se passa ileso.
E as vozes se cruzam como estilhaços no ar,
cada palavra ferindo mais que o silêncio,
erguendo ruínas onde antes havia encontro.
Ninguém sustenta o peso do que se quebra,
e ainda assim seguimos —
pisando nos cacos como se fossem caminho.
Um turbilhão de vozes, ouço em
Minha mente noturna.
Não durmo porque elas estão
Às vezes no total silêncio,
às vezes em plena luz do dia.
E quando penso tê-las compreendido,
elas se desfazem como névoa nos dedos,
deixando apenas o eco de um sentido incompleto.
Carrego-as como quem leva um campo em guerra,
onde cada ideia é um disparo contido —
e nenhuma paz se anuncia.