Todo amor, de todo o dia
desce pela garganta como vinho seco,
arde nos ossos sem pedir licença.
Ele chega de madrugada,
sem mapa, sem aviso,
e derruba as paredes que a gente ergueu sem pensar.
É o beijo que fica preso na pele,
o silêncio que grita mais alto que qualquer palavra,
o corpo que se entrega inteiro
mesmo sabendo que amanhã pode doer.
Todo amor que se pode ter
não cabe em peito pequeno,
transborda, suja, molha o chão,
e a gente agradece
porque sem ele a gente morre seco ou suave.