ME DIZ SOBRE A VIDA
A vida é um sopro que não avisa quando chega,
mas quando vai, deixa o peito vazio como casa sem luz.
Ela dança descalça na lama, ri alto no silêncio,
e às vezes — só às vezes — te olha nos olhos e diz:
"não precisa entender, só segue".
É um rio que não volta, mas carrega pedras,
pedaços de gente, promessas quebradas,
e aquele cheiro de café que ninguém mais faz.
Tem dias que ela é um abraço apertado demais,
outros, um vazio que cabe inteiro na palma da mão.
E no fim, não importa se você correu ou ficou parado:
o que conta é o rastro — leve, torto, humano —
que ficou na terra enquanto o vento apagava o resto.