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Eduardo Nagai
O Seu Guia Literário
Textos

O que restou de nós 

 

As manhãs ficaram longas demais.

O café esfria antes do primeiro gole,

e o sol parece não saber onde pousar.

Há um silêncio novo

ocupando o lugar onde o teu riso morava.

 

Os dias se repetem como um disco riscado —

o mesmo caminho,

as mesmas vozes,

o mesmo travesseiro sem cheiro.

A casa aprendeu a ser ausência.

Eu, a ser saudade.

 

Guardo tuas cartas dentro das horas,

e cada linha que releio

é um espelho quebrado refletindo o que fomos.

Às vezes falo contigo no pensamento,

e quase acredito que respondes.

 

Mas um dia o vento mudou de direção.

A rua onde te perdi

me levou de volta aos teus olhos.

Não houve palavra —

só o espanto de ainda cabermos no mesmo instante.

 

E quando te abracei,

o tempo suspendeu seu ofício.

O mundo voltou a ter centro.

O silêncio se fez canto.

E eu soube, enfim,

que o amor — o verdadeiro —

não se despede, apenas adormece

à espera do reencontro.

Prof Eduardo Nagai
Enviado por Prof Eduardo Nagai em 18/10/2025
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